35th Day-Friday June 4

4 de Junho, 6ª feira

Com o objectivo da expedição a escassos 600 Kms, resta-nos cumprir um derradeiro compromisso, para nós bem simbólico aliás.

Os dois pinheiros que desde Leiria nos acompanham, mesmo que castigados com as agruras da torreira do sol e da poluição sempre presente na China, ou empurrados pelo vento imperioso que os entorta no tejadilho do “laranja”, souberam e puderam resistir com a ajuda da chuva revitalizante e do desvelo estremado com que os tratámos. Estão então prontos para serem entregues na Câmara de Tong Ling, uma cidade com cerca de 100.000 habitantes que desde há 10 anos tem um acordo de cooperação com a cidade do Lis.

Recebidos à entrada da urbe por um carro oficial, preto como convém e anunciando pomposamente a nossa marcha, fomos conduzidos à sede da edilidade local, um espelhado e imponente edifício, com direito a troca de galhardetes e discursos de ocasião. A anfitriã, a senhora Li Yinghong, responsável pelas relações internacionais, em representação do presidente Lu Ming, ausente nos EUA para terminar uma graduação académica, enfatizou a próxima Feira de Tong Ling, a ter lugar após 12 de Outubro, tendo-nos convidado para o evento e feito portadores de semelhante convite à Câmara Municipal de Leiria. Registámos.

Como registado ficou, um repasto digno dos deuses num hotel da cidade, segundo a tradição chinesa, com inúmeros pratos naturalmente desconhecidos por nós, como patas de galinha, peixe, camarões e vegetais à mistura, desta vez regados com tinto GreatWall e aguardente de arroz, para empurrar o toou mais farinhento. A pouco e pouco a formalidade foi-se esvaindo na exacta medida em que a senhora Li brindava com baijiu, uma aguardente semi doce mas forte, trocando com o Luis “tchin-tchins” e “ganbeis”.

A sua visão empresarial, mesmo que aparentemente afastada, estava contudo sempre presente, pudemos aperceber-nos.

Rejeitámos o convite para prolongar a nossa passagem nesta cidade, mas ainda hesitámos….

Seguimos para Nanjing (a nossa Nanquim), capital da província de Jiangsu, bem já no centro da China, a última das 10 províncias chinesas que atravessámos nesta expedição.

O arroz é aqui cada vez mais o denominador comum da paisagem, agora cultivado em socalcos, numa imagem que nos é familiar. O aspecto das casas modificou-se absolutamente, assemelhando-se a um estilo mais europeu. Varandas e águas-furtadas, com telhados em bico, talvez ao jeito alemão, não abrandam a curiosidade que despertamos em qualquer efémero contacto, visual que seja.

Depois do rio Amarelo, que já deixámos bem para trás, é o Yangtze, o maior rio da China e que desagua em Shanghai, a fazer-nos companhia.

Ao cair da noite aproximamo-nos daquela enorme mancha de luz por que tanto ansiávamos. Algumas máquinas voadoras que por nós passaram nos “espaguetes” que são os viadutos de Shanghai, iluminados por néon multi-coloridos, dispensam legenda.

19 650Km e 35 dias depois, in time, eis-nos nas margens do Huangpu que delimita o Bund (baixa colonial) da antiga capital do ópio.

Um abraço comovido entre companheiros de odisseia, esconde algumas lágrimas furtivas que a emoção do momento mais que justifica.

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